Plantamos na infância e colhemos na vida adulta

As crianças, são muitas vezes desrespeitadas na sua essência e rotuladas com adjectivos, que os marcam e anulam no futuro.

Quando surgem situações desafiantes entre pais e filhos, o assunto é quase sempre abordado pela perspectiva do adulto.Alguma vez, fez o exercício inverso e analisou a situação, pelos olhos de uma criança?

Sou uma verdadeira apaixonada pelo ser humano e pelas suas infinitas possibilidades. Para conseguir desenvolver um bom trabalho como decoradora, tenho acima de tudo, que conhecer e estudar o desenvolvimento humano e a forma extraordinária como nos relacionamos com os outros e com a nossa essência.

Quanto mais estudo, mais certeza tenho, de que todos os dias temos a oportunidade de fazer melhor que ontem e que é na infância que plantamos o que colhemos no futuro.

Até aos 2 anos, os recursos de comunicação usados pelas crianças, baseiam-se em algumas palavras, choro, riso e movimentações corporais. Nesta idade, não sabem o que é fingir ou manipular. Quando assistimos a uma crise de choro da criança é sinal que ela necessita, verdadeiramente de nós para a ajudar com alguma situação ou emoção.

Quem já não assistiu a alguns vídeos na Internet de crianças que parecem manipular os pais através de “birras” ou “gracinhas”! E às vezes achamos piada à forma como o fazem e torna-se viral nas redes sociais… Não, elas não estão a fingir ou manipular…o nosso olhar de adulto é que pensa assim.

Na primeira infância existe um habito errado de “rotularmos” as crianças na frente de outras pessoas…

Uma mãe fala – “Que bem comportado é o seu filho!” , e outra mãe responde “Ah isso é porque você não o conhece 🙂 é terrível, um pestinha”.

Já reparou, que para além de validar esse comportamento (que não será diferente, enquanto você o validar) não está a pensar, quais foram as ações que levaram o seu filho a comportar-se dessa forma?

Quando ele faz algo que você não gosta, poderá ser uma reação, a um desrespeito que ele sentiu:

Tirarem um objeto de forma repentina das mãos de uma criança, porque ela tem de ir comer, ou dormir por exemplo, vai consequentemente provocar a ira na criança. Se nós adultos tivéssemos esse comportamento com outro adulto, não seria desrespeito??? Há formas empáticas de conseguirmos que a criança entenda que tem de deixar a brincadeira para ir fazer outra tarefa.

Levá-la “forçadamente” a casa, de alguém, quando ela não conhece as crianças que lá estarão e depois dela naturalmente, se conseguir ambientar, falar-lhe : “temos que ir embora” (porque entretanto, você resolveu o que tinha a resolver) não será “violento” para a criança? Não será desrespeito interromper o momento de brincadeira? Nós também não gostamos de ser interrompidos, quando estamos em estado de flow , pois não?

E quando são mais crescidos, quantas vezes, não disse (ou você mesma ouviu em criança)…

“Cala-te… isto são conversas de adulto ou cresce e aparece!” Esta é uma expressão usada várias vezes por nós e que poderá diminuir a auto-estima da criança e envergonhá-la perante os outros. Se numa reunião em família, ela tenta exprimir a sua opinião em relação a qualquer assunto ou simplesmente questionar algo, dê-lhe a liberdade para o fazer. Um assunto simples, poderá ganhar uma grande dimensão e daí surgirem certos medos ou tabus e não é isso que queremos, certo?

“Vou ficar feliz se comeres tudo o que tens no prato” Usar a comida como recompensa, chantagem ou punição, passa uma mensagem negativa em relação à alimentação. Nem sempre as crianças têm o mesmo apetite, por isso devemos respeitar essas fases e evitar fazer chantagem emocional, para que no futuro não use a comida como refugio para uma emoção que não saiba gerir.

“Ele é tão giro. Quando for crescido, vai ter imensas raparigas atrás dele”. Entendo que queira valorizar a auto estima da criança no entanto, poderá leva-la a pensar que a aparência exterior é o que mais importa.

Mesmo sem nos apercebermos, passamos também a informação, de que o menino futuramente, só se poderá envolver e relacionar com pessoas do sexo feminino e criar estereótipos negativos. Um mundo sem discriminação, ensina-se na infância.

Estes são só alguns exemplos, de como interrompemos de forma bruta a liberdade da criança, desrespeitamos a sua essência e criamos (de forma inconsciente) preconceitos.

Queremos crianças conectadas à sua essência e livres para se expressarem através daquilo que elas mais necessitam para serem felizes:

Compreensão, amor e brincadeira 🙂

Nós adultos complicamos tudo, porque esquecemos que um dia também fomos crianças e que sentíamos exatamente as mesmas coisas.

Vamos “conduzir” as nossa crianças com respeito e amor , para que possam no futuro colher, o que tão gentilmente plantámos quando eram pequenos. E da próxima vez que não compreender uma atitude do seu filho, pratique a empatia e veja com os olhos de uma criança.

Feliz dia da criança!

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